Acordamos, As rádios de Camboriú continuam divulgando que a Defesa Civil pede para que ninguém saia de casa. Continuávamos sem acesso à internet, e ao ligarmos para a empresa, ela nos informou que os equipamentos da central, que fica em Itajaí, estavam dentro dágua, portanto o sinal não chegava. Perto da hora do almoço, nosso vizinho liga, dizendo que já podemos ir, pois as águas baixaram. Seguimos para nossa casa, já vislumbrando o que iríamos encontrar. Não deu outra.
Aqui está a verdadeira sucursal do inferno! A sensação que a gente tem é que estamos numa praça de guerra. Tudo o que pertencia aos nossos vizinhos dos primeiros condomínios já está na rua, descartado. Para chegar ao nosso portão, passamos com água no meio da perna. Entramos para salvar nossas cadelinhas, e quando a Mel, que estava no muro, me viu, quiz se atirar na água para vir para os meus braços. A Dóri entrou mesmo na água, tamanho o desespero para sair dali.
Aqui preciso fazer uma pausa para falar delas. A Mel fica presa, porque pula o muro, e vai para a rua, e tenho medo que ela seja atropelada. Mas a Dóri fica solta no quintal. No sábado, minha preocupação era com a Mel, pois não conseguiria nadar e se salvar. Quando a vizinha foi socorrer, pois elas choravam muito, ela tirou a Dóri de dentro da água, pois já tinha afundado. Ela ficou ao lado da Mel durante todo o evento. Temos muito o que aprender com os animais, não é? Nós as levamos para outro lugar para tomar banho, pois estavam com lama das orelhas até o rabo.
Entramos na casa. O que prevíamos tinha acontecido. Entrou 1,77 metros e estava tudo no chão, misturado com a lama. Nada se aproveitou. Perdi TUDO!!!!!! Não sobrou nenhum livro, as roupas estavam manchadas (minha mãe vem tentando recuperá-las), comecei a usar as roupas da minha mãe. Todos os eletrodomésticos estavam dentro d’água, inclusive geladeira, fogão, microondas, máquina de lavar. Para terem uma idéia, o piano boiou e tombou em cima do computador. Só sobrou o cepo, porque é de metal; a madeira se desfez completamente. O notebook e o vídeo-projetor também boiaram, portanto fiquei sem acesso à internet. Começamos o processo de limpeza e separação de documentos para serem salvos mesmo com lama. O cheiro é muito ruim. Não tínhamos água, portanto, tínhamos que ir à rua, pegar a água que ainda estava alta para lavar as coisas. E tínhamos que fazer logo, pois tinha 2 dedos de lama dentro e fora da casa, e se não tirássemos imediatamente, corríamos o risco de escorregar e se machucar.
Então fui para a casa nova. Nova calamidade! Para terem uma idéia do que aconteceu, vejam esse vídeo. A pessoa filmou do número 797, e eu moro alguns números abaixo. Lá entrou 90 centímetros, e todos os livros e roupas que estavam no 1º andar ficaram revirados e enlameados. Comecei a seleção, quando meu irmão Cleber chegou com minha cunhada e meu sobrinho, e comida! Que coisa boa! Na pressa de chegar à casa, não lembramos uqe precisaríamos almoçar, e não tinha como fazê-lo. Mas meu irmão querido já pensou nisso, e trouxe um verdadeiro banquete! Comemos, e eles ajudaram a tirar e limpar as coisas da casa, e levar para o 2º andar. Mas minha cunhada precisava ir ao hospital para tomar o remédio, então foram embora à tarde. Mesmo assim, ela ajudou muito! Ele trouxe a notícia de Itajaí: as águas começaram a invadir a cidade pela manhã! Que coisa terrível! Meu marido só conseguiu sair do hospital Marieta às 17:00, e assim mesmo, guinchado, pois a rua já estava com muita água.
À noite, quando voltamos, o telefone não parou um só momento. Minha família, por parte de pai, queria notícias. Eles são maravilhosos! Meu primo Wagner, do RJ foi o primeiro a ligar, e queria detalhes. Depois minha tia Marineide ligou, chorando. Meu irmão Cleber liga, dizendo que tia Mariluse não conseguia ligar pois só dava ocupado. Meu tio Raymar ligou também, e depois tio Rainaldo. Todos estavam muito preocupados, e queriam ajudar de alguma forma! Que bênção é ter uma família assim! A gente se sente tão acolhida e acarinhada...
Tentei acessar a internet para dar a notícia aos amigos, mas não consegui
Mas, no meio de toda essa avalanche, meu pensamento é: "o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!" Jó 1:21
"Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão." Salmo 37:25
"Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra." Jó 19:25
Eu acredito! Amém e amém!
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
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