terça-feira, 2 de dezembro de 2008

22 de novembro de 2008 - sábado

Quando acordamos, a água não tinha escoado, e estávamos preocupados com outras regiões da cidade que tínhamos que passar para chegar à igreja. Liguei para o primeiro ancião, e ele prometeu me representar na igreja, caso eu não conseguisse chegar.
Esperamos a água escoar e saímos de casa por volta de 08:55. Quando passamos no viaduto sobre o rio Camboriú, percebemos que algo de anormal estava acontecendo. O rio estava muito cheio. Normalmente a distância da superfície da água até o viaduto deve ser de aproximadamente 5 metros, mas agora não tinha 1 metro. O pasto estava embaixo dágua. Pensamos em dar meia volta, para levar as coisas para o 2º andar, mas como não chovia, resolvemos continuar em direção à igreja, e deixar as coisas nas mãos de Deus. Ao chegar em Balneário Camboriú, a água desceu de vez. Fomos embaixo de chuva até a igreja.
Na hora do almoço, ligamos para o vizinho, e ele nos informou que estava tudo bem; não tinha água nenhuma no condomínio. Ficamos mais tranquilos, mas resolvemos não sair de casa. No final da tarde, quando o Anderson se preparava para mais um plantão, decidi ir com meus pais até nossa casa para ver a situação do rio, e lá fazer o por-do-sol.
Não conseguimos mais entrar na cidade. Na entrada principal a polícia militar estava desviando o trânsito para o Monte Alegre, bairro da periferia de nossa cidade, pois a entrada da mesma já estava debaixo dágua. Veja as fotos. Os riachos que cortam este bairro estavam na beira da margem, quase transbordando.
Chegamos à uma altura da estrada, onde conseguimos ver um braço do rio Camboriú. A água já estava na estrada. Só conseguíamos passar com água nas rodas, e no meio da rua. Ao fazermos a última curva antes da Central de Luto de Camboriú, para chegarmos ao viaduto, não conseguimos mais passar. O rio virou mar. Caminhonetes passavam com dificuldade, e começamos a perceber que nossa casa não tinha resistido a tanta água.
Voltamos, e avisamos ao Anderson. Ele ligou para o vizinho, e ele falou que saiu para ir ao mercado bem rapidinho, e ao voltar, não conseguiu mais entrar no condomínio. Tudo estava com água. E o relatório não era nada animador: "Está pior do que da última vez. Estou na casa da minha sogra." Na última vez, no final de janeiro deste ano, a água entrou quase 70 cm. Isso não era nada bom. Principalmente porque minhas cachorrinhas, a Dóri e a Mel estavam no quintal, e a Mel estava amarrada. Comecei a orar para que Deus protegesse meus animaizinhos; e começamos a ligar para todas as pessoas que conhecíamos em Camboriú para que as salvassem. Ou não atendiam o telefone, ou estavam ocupados tentando se salvar ou salvar suas coisas. Até que perto da meia-noite, conseguimos entrar em contato com um vizinho, que estava no forro da casa, e ele nos disse que a situação era crítica, mas que tinham resgatado nossas cadelinhas.
Fomos dormir mais tranquilos, crendo que Deus nos guiaria em tudo.

Nenhum comentário: