sábado, 13 de dezembro de 2008

12 de dezembro de 2008 - sábado

Hoje à noite, fui procurar na net, a notícia do jornal de São Paulo que falava de um piano em Camboriú, que meu tio Rainaldo leu. E não é que encontrei? É mesmo o meu piano! Virei notícia da Folha de São Paulo, um jornal que sempre admirei! Pena que em circunstâncias tão adversas! A Janete e a Daniele, citadas na reportagem, são minhas vizinhas, cujos filhos faziam parte do nosso pequeno grupo, feito especialmente para as crianças.


Veja o que foi publicado:

Após enchentes, cidades viram "lixão a céu aberto"
Autor(es): VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
Folha de S. Paulo - 30/11/2008

Prefeituras de SC não sabem o que fazer com entulhos acumulados nas ruas

Em Itajaí, por exemplo, 30 caminhões já recolhem o lixo da cidade; previsão é que mais 70 reforcem a coleta até a próxima semana

Depois da enxurrada que afogou Santa Catarina, cidades como Itajaí e Camboriú vêem agora os entulhos amontoados nas ruas, e as prefeituras não sabem o que fazer com tudo aquilo -nem para onde levar. Mobiliário, colchões, roupas e utensílios domésticos cobertos de lama se acumulam em frente a muitas casas dos bairros mais atingidos pelas águas. Daquilo nada mais pode ser aproveitado. As cidades são um lixão a céu aberto. Em oficinas mecânicas e borracharias, o que se vê são filas de carros enlameados com donos tentando recuperar a carcaça e o motor. Segundo a Prefeitura de Itajaí, 30 caminhões já recolhem o lixo da cidade. A previsão é a de que mais 70 reforcem a coleta até a próxima semana. A prioridade são escolas, que serviram de abrigos, e hospitais. Num condomínio de classe média baixa da Baixada, o bairro mais atingido de Camboriú, até um piano, ou o que restou dele, foi jogado fora. Foram necessários quatro homens para carregar a cauda. No varal de uma casa que teve o muro derrubado pela força das águas, bonecas foram colocadas para secar como lençóis. Ali a água subiu tanto que cobriu as janelas. A moradora e os três filhos, dois deles crianças, foram resgatados pelo telhado por bombeiros no domingo. "Em cinco minutos a água chegou ao teto. Subimos de escada até o forro e ficamos esperando o salvamento. Levou meia hora para sairmos dali. As paredes ainda têm as marcas das batidas do barco", mostra Janete Buse, 43. De lá, foi levada para a prefeitura. Recebeu roupas secas, café e bolacha e seguiu para um abrigo, onde ficou até a quarta-feira passada. A vizinha Daniele Chiesa, 32, diz já ter contratado um pedreiro para fazer pequenas reformas na casa. "Os móveis vão ser todos de tijolo: cama, sofá, prateleiras. Não quero mais nada de madeira", afirma.

Leia a notícia completa aqui

11 de dezembro de 2008 - quinta-feira

Minha sogra e a sua irmã estão indo embora; mas a ajuda delas foi valiosíssima! Não sei o que teria acontecido conosco se elas não viessem ajudar. Nosso MUITO OBRIGADA a elas! Nosso quarto está bem mais arrumado, mas sem móveis fica difícil colocar as coisas no lugar. Talvez cheguem na segunda-feira. Então, poderemos arrumar melhor as coisas!

10 de dezembro de 2008 - quarta-feira

A casa já tem um outro perfil. Mas a falta de móveis e os livros espalhados pela sala e quartos deixam tudo muito complicado. Mas é a única forma de secá-los. Temos que ter paciência.

09 de dezembro de 2008 - terça-feira

Continuam a limpeza na casa, lavando e passando as roupas, e tentando secar os livros. Alguns continuam muito molhados, e já apresentam muito mofo. Mas vou continuar tentando recuperar.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

08 de dezembro de 2008 - segunda-feira

Fui trabalhar enquanto minha sogra e a tia do meu marido continuam lavando e passando as roupas, e lavando as outras coisas que têm lama. Como não fez sol, não pude colocar os livros no quintal; eles ficaram na sala.

Resumo do Desastre (atualizado às 11:15 do dia 08/12/08)
Registro de 32.946 desalojados e desabrigados, sendo 5.710 desabrigados e 27.236 desalojados. São 122 ÓBITOS e 29 desaparecidos confirmados (A Delegacia Geral de Polícia Civil enviará boletins para Defesa Civil, informando os números de desaparecidos).
Fotos e notícias gerais no site do Governo de SC: webimprensa.sc.gov.br.

Fonte: www.desastre.sc.gov.br

Recebi de uma grande amiga, a Sueli, o texto abaixo, que ao lê-lo, se lembrou de mim:
"Os ventos que, às vezes,
tiram algo que amamos

São os mesmos que nos
trazem algo que
aprendemos a amar

Por isso, não devemos
chorar pelo que nos foi
tirado

E sim, aprender a amar o
que nos foi dado

Pois tudo aquilo que é
realmente nosso

Nunca se vai para sempre."
Fernando Pessoa

Eu vejo as coisas da seguinte forma:
Deus é o dono de tudo, e eu, sou apenas uma administradora, um mordomo. Mas Deus é o patrão. Se Ele resolveu que vai jogar essas coisas fora, para que eu administre outras, porque vou ficar chorando o que Ele jogou fora? Preciso me preparar para administrar as novas coisas que Deus vai colocar nas minhas mãos; sejam elas melhores ou não.

E começamos por um triliche que ganhamos da Rádio Menina. Agora, temos onde colocar os colchões. Mas, para isso, tivemos que trazer todos os móveis que estavam lá; guarda-roupa, cômoda, criado-mudo, um outro beliche. Dividimos os mesmos com nossos vizinhos que também perderam tudo. Eles vieram buscar correndo, e ficaram muito felizes!

07 de dezembro de 2008 - domingo

Começamos a secar os livros ao sol.

06 de dezembro de 2008 - sábado

Fomos à igreja, e ouvimos testemunhos maravilhosos sobre solidariedade, carinho e amor, mostrando a mão de Deus guiando todos nós.

Tivemos uma comissão extrordinária para informar-nos de que 100 jovens virão do UNASP, capus Hortolândia, no sábado, dia 20/12 para realizar um projeto denominado "Juntos somos fortes", que consiste em distribuir cestas básicas na parte da manhã, e cestas de natal na parte da tarde. Excelente inciativa! Estaremos lá para apoiar e ajudar neste projeto.

À tarde voltamos à igreja para ajudar a separar roupas e entregá-las junto com água e cesta básica. Fomos a um bairro, Cidade Nova, nas casas que estavam na beira do rio. Que desolação! Quanta miséria! Minha sogra chorou ao ver a situação. O entulho era tanto que em determinadas ruas, o carro não passava. As casas estavam vazias e mofando, pois eram feitas de madeira. Outras estavam interditadas pela Defesa Civil. Mulheres grávidas se acercaram do carro, dizendo que precisavam de roupas, alimentos e água, e mostravam como tinha ficado a casa, até onde a água tinha chegado. Minha sogra disse que não tinha idéia da verdadeira situação das pessoas. E penso que o Brasil também não tem idéia. Só quem está aqui, ou veio nos visitar é capaz de entender o que passamos.

A cidade de Itajaí está triste; não existe enfeite de natal em lugar algum. Sentimos o cheiro do desespero em cada esquina.

Mas louvado seja Deus, pelos anjos humanos que Ele tem enviado para minorar a dor deste povo tão sofrido! E cabe a nós, mesmo atingidos pela catástrofe, levar esperança para eles. Pois cremos em um Deus que está no controle de tudo, e não permitirá que caia um só fio de cabelo sem o seu consentimento. Temos certeza, agora, mais do que nunca, de que Ele está à frente de tudo, e não deseja nos ver sofrer! As catástrofes, o sofrimento não é plano de Deus; mas nos mostra que o fim está muito mais próximo do que imaginamos.

05 de dezembro de 2008 - sexta-feira

Minha sogra e a sua irmã chegaram para me ajudar. Começaram com as roupas, lavando e passando, e o Anderson também ajudou. Ao por-do-sol, a parte de baixo estava bem melhor, com cara de casa! Louvamos a Deus, por tudo, e fomos dormir.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

04 de dezembro de 2008 - quinta-feira

Hoje, estou de folga por conta do TRE, já que trabalhei nas eleições. Por isso, deu para dar uma boa adiantada na casa. O técnico deixou uma máquina de lavar para usarmos, enquanto ele conserta a nossa. Lavamos muita roupa, e ainda tem muita prá lavar! Algumas já estão com cheiro ruim! Vamos ter que ferver!

Os livros estão mofando, pois estavam empilhados ainda molhados. Retirei alguns, para que sequem. Minha sogra viajou hoje para vir me ajudar. Ela chega amanhã de manhã. Vamos ver se agora a coisa anda, pois minha mãe já está muito cansada!

Vemos, a todo momento, a mão de Deus nos amparando! Bendito seja Seu nome!

03 de dezembro de 2008 - quarta-feira

A geladeira funciona! E o fogão também! Louvado seja Deus. Papai entrou em contato com o técnico para que ele conserte a máquina de lavar. Hoje fiz comida da cesta básica que recebi. Me sinto a própria flagelada! Quando disse isso prá secretária na escola, a diretora, que estava ouvindo, disse: "Flagelada, nada! Gente, mesmo, comendo do imposto que você paga!" A Márcia é ótima! COncordei com ela, e demos boas risadas...

O Anderson montou a cama, apesar da madeira estar úmida e rachada. Por enquanto, é o que a gente vai usar, até poder comprar outra. Meu colega, que está verificando os equipamentos, disse que realmente o HD está fazendo um barulho que indica que ele sofreu impacto, e talvez não consiga recuperar os arquivos. Ele está secando os componentes do notebook, mas a fonte está cheia de água, e ele vai precisar abrir para secar, para poder ligá-lo. Conseguiu recuperar o MP3, mais uma vitória! Ele está tentando secar o vídeo-projetor.

Hoje consegui falar com a Eunice! Tio Neri também ligou, preocupado! Quanto carinho! Que Deus abençoe a todos!

02 de dezembro de 2008 - terça-feira

Meus pais continuam a limpeza com o Anderson, enquanto eu trabalho. Recebemos um colchão da Defesa Civil, e outro da igreja. Agora já podemos dormir. Também recebemos cesta básica, mas ainda não podemos cozinhar, porque hoje o Anderson está testando a geladeira e o fogão. A máquina de lavar e o microondas não funcionam. Os livros começam a mofar.

Levei o notebook e o vídeo-projetor para o colega ver se consegue recuperar; vamos orar para que ele consiga!

1º de dezembro de 2008 - segunda-feira

Soube hoje, por um vizinho da casa antiga, que o Ministério Público vai ajudar aos atingidos pelas enchentes, a recuperar o que perdeu. Para tanto, precisamos juntar as notas fiscais e levar a uma seguradora. Se não tivermos as notas, basta irmos à uma delegacia, com duas testemunhas que comprovem que o equipamento realmente é nosso. A Márcia já prometeu que testemunha a favor do meu notebook e do vídeo projetor! Que maravilha!

O Anderson levou o HD para um colega da EEB Profª Maria Terezinha Garcia ver se consegue recuperar. Seria tão bom se ele conseguisse! Preciso muito dos meus arquivos.... vou deixar o notebook e o vídeo projetor para que ele tente recuperar. Assim, não preciso recorrer ao MInistério Público!

A cidade, lentamente está voltando ao normal. Ainda vemos muitos entulhos e objetos secando ao quintal, pois as pessoas aproveitam qualquer solzinho para secar. Mas a chuva continua. Meus amigos escrevem no orkut, mas não consigo responder; é muito trabalho! Quero agradecer a cada um deles pelo carinho e preocupação: Luciana, de Recife, Mônica, Euni (minha prima), Dora, Luciana (minha madrinha de casamento), Dirce, Samira, Isabel, Nilcéia, Kelly, Elisabeth (que me ajudou na Defesa Civil), Cleide, Léo, Síntia, Juninha Lira, e tantos outros que tem nos ajudado... nosso muito obrigada, de coração! Vocês são maravilhosos!!

Mas vou deixar as fotos falarem por si....

A rua José Rebelo da Cunha, onde fica o Conjunto Residencial Vila Algarve:


1º Portão - 1º condomínio:


2º Portão - 2º condomínio:


3º Portão - 3º condomínio, com o muro caído:


5º Portão em diante:


4º Portão, onde morávamos:




Entrada do nosso condomínio, visto da rua:






Entrada do nosso condomínio, visto de dentro:




O condomínio (vizinhança):


Nossa casa com garagem:


A vizinha de frente:



Nossa garagem:


Entrada da nossa garagem e vizinhança:


Sala de jantar, com o piano caído à direita, e o aparelho de som à esquerda:


Sala de Jantar, com o piano caído:


Sala de estar e jantar:


Sala de estar e a entrada de um dos quartos e banheiro:


Sala de estar:


Sala de estar e a cozinha:


Sala de estar e jantar depois de limpa - o que está em cima das cadeiras (que estão estufadas e rachadas) é o que sobrou da mesa: só o tampo:


Sala de estar depois de limpa:


Ops, agora a sala tem outra cara...


Piano:


Tentativa de salvar o piano:






Tentativa infrutífera de salvar o piano:


Cozinha:






Cozinha, já limpa:


Dispensa de alimentos:




Meu quarto:




Meu quarto, já limpo:


Lavanderia (entrada);


Lavanderia:


Biblioteca:


Quintal, já limpo:




Minha biblioteca na casa nova:




O que restou dos livros - não se iluda, eles estão pingando...

30 de novembro de 2008 - domingo

Continuamos a limpeza, e a tentativa de secagem dos livros. É muito trabalho. Chega no final do dia, estamos esgotados!

Ontem, fui à igreja para participar da ação que a igreja promoveu de entregar o material que já chegou, e os irmãos perceberam algumas situações: as pessoas estão com fome e frio. Existem muitas crianças pequenas chorando, quer dizer, gritando de fome. Estão sem comer há 3 dias. E não são poucas; são centenas, milhares nesta situação. Então, nestas circunstâncias, não adianta dar cestas básicas, pois a grande maioria perdeu tudo, e não tem fogão, gás ou panelas para fazer a comida. O que estão fazendo, então? Para as casas onde têm crianças, entregam frutas, biscoitos e leite. É impressionante! As crianças praticamente devoram os biscoitos e as frutas, de tanta fome! Uma criança de 3 anos, ao receber uma roupinha, se agarrou à mesma e não quiz soltar de jeito nenhum!

Parece um verdadeiro campo de guerra! O exército está nas ruas e a polícia do exército está armada de fuzis nas entradas da cidade, para evitar os saques. E a chuva não pára! A cidade não tem água; meu irmão tem que vir à Balneário Camboriú, na casa dos meus pais, para tomar banho. Portanto, as necessidades mais urgentes são (creio que nas outras regiões afetadas as necessidades são as mesmas):
- comida pronta - pão, biscoito (ou o dinheiro pazra comprá-los), enlatados;
- água potável;
- leite;
- colchões;
- roupas de cama e banho, principalmente cobertores.
- produtos de higiene e limpeza

Se alguém quer enviar dinheiro, que o faça na conta da ADRA, pois já soubemos de espertalhões que estão se aproveitando da situação para divulgar contas bancárias que não são destinadas aos desabrigados.

Os irmãos, mesmo aqueles que perderam tudo ou quase tudo estão ajudando os que estão em situação pior. E o sentimento é um só: Deus está no controle da situação, e não vai nos desamparar! Muitos inclusive estão se confortando com a idéia de que Deus permitiu isso para que nos desapegássemos das coisas materiais, pois o fim está muito mais próximo do que imaginamos.

E para quem pensa que só os pobres estão sofrendo, muitos empresários, médicos, advogados e outros profissionais finaceiramente estáveis, tb perderam quase tudo. Mas a união e a solidariedade é grande! O problema é que os pobres são em maior número, e não têm a quem pedir socorro, por isso nossa preocupação em diminuir o sofrimento deles.

Que Deus dê a todos vcs uma semana maravilhosa, pois são anjos enviados por Ele para ajudar uns aos outros! Que maravilha é a família adventista! Fico emocionada ao ver a rapidez com que se mobilizaram para enviar ajuda! Só Deus poderá recompensá-los; não temos palavras para agradecer tanta generosidade!

"Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união." Salmos 133:1

29 de novembro de 2008 - sábado

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todos que se manifestaram de forma solidária a nós, de SC. Muito obrigada, de coração! Vocês são os anjos que Deus enviou para nos socorrer! Só a fato de enviar mensagens desejando ajudar, já conforta nosso coração. Principalmente quando vemos esse desejo se materializando! Não temos palavras para agradecer! Só a eternidade poderá resompensá-los! No momento, a maior necessidade é de comida pronta e água potável, porque Itajaí está sem água, e quem perdeu tudo não tem como fazer comida. Na minha cidade, onde a energia e a água já retornou, temos receio de usar esta água prá beber. Estou indo para a igreja prá ajudar a distribuir o que já chegou. Mas estamos temerosos que a ajuda que vcs estão enviando não chegue realmente ao destino correto. Quem está nas Associações, seria muito bom acompanhar até o fim, o destino das coisas, ok?

Aqui, quem pode está ajudando, fazendo comida. A ADRA da Fazenda está distribuindo sanduiches e sucos; já prepararam em torno de 3000 lanches. A irmã Jenny Liberato (depois eu falo sobre essa pessoa maravilhosa....) passa o dia preparando comida para distribuir. As escolas da União Sul vão ajudar os professores que perderam tudo, com parte do 13º salário dos funcinários, e o dinheiro que iriam gastar com comemorações de final de ano.

Na Central de Itajaí, foram poucas as pessoas que disseram que a água não entrou em casa. Mas todos estavam na igreja, louvando a Deus, e agradecendo pela vida, pois ainda não chegou nenhuma notícia que algum irmão tenha morrido! Mas o quadro é pavoroso! Um irmão contou que quando voltou para casa, na sua cerca estava o corpo de uma mãe agarrada ao corpo de seu filho de colo; outro foi encontrando corpos de animais pelo chão, e pendurados em árvores e muros. É um verdadeiro campo de guerra!

Mas estamos todos em paz, acreditando que isto é um sinal que a volta de Cristo está mais perto ainda, e por isso o inimigo está tão furioso! Todos, sem exceção, estão confortados com o abraço carinhoso que vocês, de uma forma ou de outra, tem nos dado. Isso nos capacita a erguer a cabeça e ir em frente, crendo que Deus está nos guiando, e guiando Sua Igreja!

Deus abençoe a todos!

Amém e amém!

28 de novembro de 2008 - sexta-feira

Conseguimos terminar de limpar a casa velha, e fazer a mudança para a casa nova. Mas
a casa nova ainda está uma sujeira só!

Fui trabalhar, afinal de contas, não posso desaparecer assim, né? Quando cheguei ao José Arantes, a diretora Márcia me disse: "Tenho duas perguntas prá te fazer:
1 - Onde é a sua casa, e onde você estava, porque nós rodamos todo o bairro à tua procura, e não encontramos? Como você está?" Quando contei tudo, ela disse que ia fazer meu cadastro na Defesa Civil, porque perdi até comida e colchão. Então continuou:
2 - "O que você está fazendo aqui? Vai prá tua casa, terminar de limpar!" A Márcia é a pessoa mais incrível que já conheci! Terminei algumas coisas na escola, e voltei prá terminar a limpeza. Daqui a pouco, ela chega, com vários sacos grandes, dizendo que ia levar minha roupa prá lavar. Levou praticamente tudo! Só deixou roupa de cama, pois não tinha problema se manchasse, e os ternos, porque só poderiam ser lavados em lavanderia. Não sei como agradecer tanta ajuda!

O técnico que olhou o computador, disse que conseguiu recuperar a placa-mãe e o processador (amém!), mas o HD, não! Isso era o mais importante, por causa dos meus arquivos.... Mas conseguiu recuperar os pen drivers! (mais um amém!)

Recebi a seguinte notícia: Dos 130.000 habitantes de Itajaí, 80.000 estão desabrigados e perderam tudo. TODOS os NOSSOS IRMÃOS de Imaruí, Costa Cavalcante, São João, Pró-Morar, Navegantes, perderam absolutamente TUDO, e estão precisando urgente de ajuda! Tem professor da Escola Adventista de Itajaí que só está com a roupa do corpo e a casa. E ainda tem irmão que perdeu a casa também! Estas igrejas são apenas do distrito de Itajaí!

Do distrito de São Vicente, que também fica em Itajaí, a coisa ainda está pior! Entrou água em TODAS as igrejas dos 2 distritos, incluindo as igrejas sede. A única igreja que não entrou água foi a da Fazenda, do distrito de Itajaí, pois ela fica no alto. Já no sábado passado estavam pedindo doações pois muitos irmãos tinham perdido tudo. Agora, ninguém tem nada para doar! Estamos precisando de ajuda urgente!!!

Não temos água potável, nem para beber; quando vamos comprar, de R$5,00, o galão de 20 litros pulou para R$ 30,00 a R$ 40,00. Fica muito complicado principalmente para quem perdeu até a comida. Os saques são constantes. Fugiram 90 presos do cadeião de Itajaí. Estamos receosos com os arrastões. No meu condomínio, arrombaram a porta de um vizinho, pensando encontrar algo de valor (do que tinha restado) e só encontraram a casa vazia. Tentaram roubar o carro do outro vizinho; foi por pouco, pois a polícia pegou! Ao nosso redor só vemos desespero!

Mas graças à Deus que temos Alguém que nos dá forças para continuar lutando. E é graças à Ele que também temos essa família maravilhosa, que é a família adventista! O que seria de nós sem vcs? É uma pena que a distância faça com que a ajuda demore, mas sabemos, em nome de Jesus, que ela virá. Ele nunca nos desampara, e mantém anjos como vcs para nos socorrer! Amém por isso! Com esta certeza, sabemos que o culto no sábado será muito mais especial; um culto de gratidão a este Deus maravilhoso, e aos nossos irmãos que se compadecem uns dos outros!

Deus vos abençoe!!

27 de novembro de 2008 - quinta-feira

Agora já temos acesso à internet, e resolvi escrever uma mensagem para as listas de discussão, para que tivessem notícias nossas. Meu cunhado de Guarulhos tentou ligar, mas não conseguiu. Enviou mensagem, mas só recebi na quarta. Depois de muito tentar ele conseguiu falar com o Anderson e disse que o Rotary Club de Guarulhos vai mandar doações. Meus amigos do orkut estão desesperados atrás de notícias, e ficaram aterrados com o que viram!

O Anderson teve que trabalhar, pois também entrou água na casa da Denise, e ela precisava limpá-la. Na volta, passou na igreja da Fazenda, e encontrou a irmã Célia e sua filha Sandra, que estavam esperando as doações chegarem. Mas como foi transferido para a Igreja Central, pois conseguiram limpar tudo por lá, ele as trouxe para ajudar na limpeza. Que maravilha é essa família adventista! Contaram que a situação em Itajaí estava calamitosa. Só o bairro Fazenda não chegou água; o resto da cidade estava destruído!

O que a gente percebe, pelo menos no meu caso, é o inimigo extremamente raivoso. Porque estou conseguindo recuperar alguns poucos livros, mas somente os de graduação, da escola, clássicos da literatura. Mas não consegui salvar nenhum livro da igreja. Além de estarem completamente encharcados, estavam detonados. E isso inclui todas as Bíblias e os estudos bíblicos que estávamos fazendo com as crianças. Os livros do Espírito de Profecia estavam virados do avesso. Tudo detonado! Não conseguimos salvar absolutamente nada! E isso, às vésperas da formatura das crianças! Não é significativo?

A irmã Célia disse que se alguém tivesse falado e ela não tivesse visto o estado dos livros do Espírito de Profecia e as Bíblias, ela não acreditaria.

Nossos irmãos perderam tudo; inclusive as igrejas ficaram embaixo dágua. O Pr. Paim montou um posto de arrecadação e distribuição na igreja da Fazenda, que foi o único bairro de Itajaí que não entrou água. Mas no sábado, quando passei por lá (antes da catástrofe) o bairro era um rio só, com ruas completamente destruídas. Mas como é um bairro que fica na encosta, é mais difícil entrar água nas casas.

Mas estamos vivos, e Deus é maravilhoso em nos confortar com seus anjos aqui da terra! Meus vizinhos disseram que não tem mais clima para comemorar Natal. Mas eu não concordo! Esse ano, mais do que nunca, quero comemorar o Natal, pois ele me lembra o nascimento de Jesus, e é esse fato que nos dá esperança de um mundo melhor, a Nova Terra, Nova Jerusalém que Ele está preparando para aqueles que o seguem! Veja:
"Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também." João 14:1-3

Bendita esperança! Lá não haverá mais dor, sofrimento, nem enchentes! Muito menos mortes! Maranata! O Senhor logo vem! Amém!

26 de novembro de 2008 - quarta-feira

Continuamos sem acesso à internet, e continuamos a limpeza nas duas casas. É muita coisa.

Voltamos tarde da noite, exaustos!

25 de novembro de 2008 - terça-feira

Continuamos sem acesso à internet.

Levamos o computador e os pen drivers o técnivo ver se consigue recuperar os dados do HD. Mas ele já avisou que se entrou água, não consegue recuperar. Dizem que em SP técnicos conseguem fazer isso, mas cobram muito caro, e eu não tenho como pagar.

Fomos para as casas continuar a limpeza. A professora de inglês do Anderson foi lá nos ajudar, apesar de ter saído de uma cirurgia, e um dos pontos estar saindo secreção. Quanto carinho!

A supervisora da EEB Profº José Arantes esteve lá na casa nova, e me encontrou. Foi levar força e conforto de toda a direção da escola para mim. Como eu amo o povo do José Arantes! Eles são formidáveis!

Voltamos à noite, muito cansados, e soubemos que tio Railson estava tentando ligar, e não conseguia. O telefone da minha mãe estava mudo! Muitos outros parentes tentavam e não conseguiam: meu primo Mozart, minha prima Eunice, meus amigos da escola do Rio de Janeiro, Ediméia e Nilcéia, e tantos outros. Meus amigos da internet, das listas de discussão, do orkut estavam desesperados, mas eu não conseguia nem contato, nem acesso. Os celulares não pegavam, a carga estava acabando, e os carregadores foram levados pela chuva.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

24 de novembro de 2008 - segunda-feira

Acordamos, As rádios de Camboriú continuam divulgando que a Defesa Civil pede para que ninguém saia de casa. Continuávamos sem acesso à internet, e ao ligarmos para a empresa, ela nos informou que os equipamentos da central, que fica em Itajaí, estavam dentro dágua, portanto o sinal não chegava. Perto da hora do almoço, nosso vizinho liga, dizendo que já podemos ir, pois as águas baixaram. Seguimos para nossa casa, já vislumbrando o que iríamos encontrar. Não deu outra.

Aqui está a verdadeira sucursal do inferno! A sensação que a gente tem é que estamos numa praça de guerra. Tudo o que pertencia aos nossos vizinhos dos primeiros condomínios já está na rua, descartado. Para chegar ao nosso portão, passamos com água no meio da perna. Entramos para salvar nossas cadelinhas, e quando a Mel, que estava no muro, me viu, quiz se atirar na água para vir para os meus braços. A Dóri entrou mesmo na água, tamanho o desespero para sair dali.

Aqui preciso fazer uma pausa para falar delas. A Mel fica presa, porque pula o muro, e vai para a rua, e tenho medo que ela seja atropelada. Mas a Dóri fica solta no quintal. No sábado, minha preocupação era com a Mel, pois não conseguiria nadar e se salvar. Quando a vizinha foi socorrer, pois elas choravam muito, ela tirou a Dóri de dentro da água, pois já tinha afundado. Ela ficou ao lado da Mel durante todo o evento. Temos muito o que aprender com os animais, não é? Nós as levamos para outro lugar para tomar banho, pois estavam com lama das orelhas até o rabo.

Entramos na casa. O que prevíamos tinha acontecido. Entrou 1,77 metros e estava tudo no chão, misturado com a lama. Nada se aproveitou. Perdi TUDO!!!!!! Não sobrou nenhum livro, as roupas estavam manchadas (minha mãe vem tentando recuperá-las), comecei a usar as roupas da minha mãe. Todos os eletrodomésticos estavam dentro d’água, inclusive geladeira, fogão, microondas, máquina de lavar. Para terem uma idéia, o piano boiou e tombou em cima do computador. Só sobrou o cepo, porque é de metal; a madeira se desfez completamente. O notebook e o vídeo-projetor também boiaram, portanto fiquei sem acesso à internet. Começamos o processo de limpeza e separação de documentos para serem salvos mesmo com lama. O cheiro é muito ruim. Não tínhamos água, portanto, tínhamos que ir à rua, pegar a água que ainda estava alta para lavar as coisas. E tínhamos que fazer logo, pois tinha 2 dedos de lama dentro e fora da casa, e se não tirássemos imediatamente, corríamos o risco de escorregar e se machucar.

Então fui para a casa nova. Nova calamidade! Para terem uma idéia do que aconteceu, vejam esse vídeo. A pessoa filmou do número 797, e eu moro alguns números abaixo. Lá entrou 90 centímetros, e todos os livros e roupas que estavam no 1º andar ficaram revirados e enlameados. Comecei a seleção, quando meu irmão Cleber chegou com minha cunhada e meu sobrinho, e comida! Que coisa boa! Na pressa de chegar à casa, não lembramos uqe precisaríamos almoçar, e não tinha como fazê-lo. Mas meu irmão querido já pensou nisso, e trouxe um verdadeiro banquete! Comemos, e eles ajudaram a tirar e limpar as coisas da casa, e levar para o 2º andar. Mas minha cunhada precisava ir ao hospital para tomar o remédio, então foram embora à tarde. Mesmo assim, ela ajudou muito! Ele trouxe a notícia de Itajaí: as águas começaram a invadir a cidade pela manhã! Que coisa terrível! Meu marido só conseguiu sair do hospital Marieta às 17:00, e assim mesmo, guinchado, pois a rua já estava com muita água.

À noite, quando voltamos, o telefone não parou um só momento. Minha família, por parte de pai, queria notícias. Eles são maravilhosos! Meu primo Wagner, do RJ foi o primeiro a ligar, e queria detalhes. Depois minha tia Marineide ligou, chorando. Meu irmão Cleber liga, dizendo que tia Mariluse não conseguia ligar pois só dava ocupado. Meu tio Raymar ligou também, e depois tio Rainaldo. Todos estavam muito preocupados, e queriam ajudar de alguma forma! Que bênção é ter uma família assim! A gente se sente tão acolhida e acarinhada...

Tentei acessar a internet para dar a notícia aos amigos, mas não consegui

Mas, no meio de toda essa avalanche, meu pensamento é: "o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!" Jó 1:21
"Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão." Salmo 37:25
"Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra." Jó 19:25

Eu acredito! Amém e amém!

23 de novembro de 2008 - domingo

Acordamos, com uma vontade irresistível de sair para ver o que tinha acontecido com a casa. Mas a chuva não dava trégua, e os locutores da rádio local pediam insistentemente para que ninguém saísse de casa, principalmente para entrar ou sair de Camboriú. A cidade estava arrasada. Comecei a vasculhar a internet em busca de informações, até que cheguei a um vídeo que mostrava fotos de vários pontos da cidade. Veja aqui.

Comecei a perceber que a coisa era séria, e fiquei bastante preocupada, porque na 9ª foto, está a igreja de Camboriú, que é uma construção verde, atrás de umas árvores. Na foto seguinte, no final da rua à esquerda ficava a minha casa velha, e na primeira rua à direita, a casa nova.
Cheguei à triste conclusão que tinha entrado tanta água, que nem a casa nova, que nunca tinha chegado água nenhuma, escapou.

Meu irmão de São Paulo, o Dailton, estava sempre em contato, e acompanhando pela internet. Ficou horrorizado com o que viu...

No final da noite, perdemos o acesso à internet. Com o coração pesado, mas crendo que Deus não nos desampararia, fomos dormir.

22 de novembro de 2008 - sábado

Quando acordamos, a água não tinha escoado, e estávamos preocupados com outras regiões da cidade que tínhamos que passar para chegar à igreja. Liguei para o primeiro ancião, e ele prometeu me representar na igreja, caso eu não conseguisse chegar.
Esperamos a água escoar e saímos de casa por volta de 08:55. Quando passamos no viaduto sobre o rio Camboriú, percebemos que algo de anormal estava acontecendo. O rio estava muito cheio. Normalmente a distância da superfície da água até o viaduto deve ser de aproximadamente 5 metros, mas agora não tinha 1 metro. O pasto estava embaixo dágua. Pensamos em dar meia volta, para levar as coisas para o 2º andar, mas como não chovia, resolvemos continuar em direção à igreja, e deixar as coisas nas mãos de Deus. Ao chegar em Balneário Camboriú, a água desceu de vez. Fomos embaixo de chuva até a igreja.
Na hora do almoço, ligamos para o vizinho, e ele nos informou que estava tudo bem; não tinha água nenhuma no condomínio. Ficamos mais tranquilos, mas resolvemos não sair de casa. No final da tarde, quando o Anderson se preparava para mais um plantão, decidi ir com meus pais até nossa casa para ver a situação do rio, e lá fazer o por-do-sol.
Não conseguimos mais entrar na cidade. Na entrada principal a polícia militar estava desviando o trânsito para o Monte Alegre, bairro da periferia de nossa cidade, pois a entrada da mesma já estava debaixo dágua. Veja as fotos. Os riachos que cortam este bairro estavam na beira da margem, quase transbordando.
Chegamos à uma altura da estrada, onde conseguimos ver um braço do rio Camboriú. A água já estava na estrada. Só conseguíamos passar com água nas rodas, e no meio da rua. Ao fazermos a última curva antes da Central de Luto de Camboriú, para chegarmos ao viaduto, não conseguimos mais passar. O rio virou mar. Caminhonetes passavam com dificuldade, e começamos a perceber que nossa casa não tinha resistido a tanta água.
Voltamos, e avisamos ao Anderson. Ele ligou para o vizinho, e ele falou que saiu para ir ao mercado bem rapidinho, e ao voltar, não conseguiu mais entrar no condomínio. Tudo estava com água. E o relatório não era nada animador: "Está pior do que da última vez. Estou na casa da minha sogra." Na última vez, no final de janeiro deste ano, a água entrou quase 70 cm. Isso não era nada bom. Principalmente porque minhas cachorrinhas, a Dóri e a Mel estavam no quintal, e a Mel estava amarrada. Comecei a orar para que Deus protegesse meus animaizinhos; e começamos a ligar para todas as pessoas que conhecíamos em Camboriú para que as salvassem. Ou não atendiam o telefone, ou estavam ocupados tentando se salvar ou salvar suas coisas. Até que perto da meia-noite, conseguimos entrar em contato com um vizinho, que estava no forro da casa, e ele nos disse que a situação era crítica, mas que tinham resgatado nossas cadelinhas.
Fomos dormir mais tranquilos, crendo que Deus nos guiaria em tudo.

21 de novembro de 2008 - sexta-feira

Chove em Camboriú há quase dois meses! Mas não é uma garoinha, não, é muita água mesmo! Chuva torrencial. Muitos alunos começam a faltar porque não conseguem chegar à escola.

Em meio a tudo isso, comecei minha mudança para uma casa nova, um sobrado em Camboriú/SC. Tive pressa em fazê-lo, pois já fomos informados que o rio transbordou, e já chegou no pasto. O pasto fica atrás do condomínio onde moro no momento. Portanto, mesmo com chuva, levei todos os meus livros e roupas, o conjunto de sofá e a escrivaninha do computador. Entre uma trégua e outra. Com isso, o sofá chegou pingando na casa nova. "Mas não tem problema", pensei, "aqui não vem água; tudo está protegido."
Como a hora de nos aprontarmos para o por-do-sol estava chegando, não nos preocupamos em levar as coisas para o 2o andar.
Todas as coisas estavam no alto, na casa velha, fizemos o por-do-sol e fomos recapitular a lição da Escola Sabatina. As crianças não vieram para o pequeno grupo, porque as mães estavam temerosas com o que poderia acontecer a qualquer momento.
Fomos dormir, a chuva continuava, mas a água apenas chegou a 2 dedos na escada. Mas isso era normal.